A Secretaria de Estado
da Educação de São Paulo divulgou nesta sexta-feira a Portaria CGRH 01, de
05-09-2014, que “dispõe sobre as inscrições
para o Processo de Atribuição de Classes e Aulas 2014 para o ano letivo de
2015”, ou seja, que trata de como se dará o processo de fixação de jornadas dos
professores efetivos (hoje cerca de 120 mil) e de contratação de professores temporários
(mais de 90 mil, neste ano).
Concursados contratados
como “temporários”
O governo do PSDB quer que milhares de aprovados no
concurso de 2013 que ainda não foram convocados, sejam contratados como
temporários, ao estabelecer no Art. 6º que “docentes remanescentes do
Concurso Público PEB-II/2013 participarão do processo de atribuição de
classes/aulas, observada a classificação obtida no concurso, na 1ª e 2ª opção,
estando desobrigados de realizar a inscrição”.
Depois da propaganda
enganosa do governo tucano de que o último concurso seria “o maior da
história”, a medida é mais um passo para confirma-lo como um dos maiores golpes
contra os professores de toda a história.
Depois dos golpes dos
editais atrasados, dos conteúdos das provas em desacordos com os editais, das
provas com dezenas de erros e sem conexão com os conteúdos anunciados, das
convocações de professores para jornadas para salários miseráveis de pouco mais
de R$ 700 (12 horas) e das posses em pleno decorrer do ano letivo, que
aumentaram o caos nas escolas e provocaram a demissão de milhares de
professores...... agora, o governo que usar o concurso como forma de
classificação dos professores concursados para trabalharem como “temporários”.
Golpe, golpe e mais golpe!
Mais divisão
Fica claro que o
concurso não passou de um truque para excluir profissionais com vários anos de
serviço e avacalhar ainda mais a situação nas escolas. A política do PSDB não é
a de efetivar, muito pelo contrário, os governos tucanos são os que mais
terceirizam e precarizam as contratações de servidores.
Quer criar, assim, mais
uma subdivisão entre os professores, dividindo os contratados em mais faixas,
colocando os aprovados no concurso como uma “faixa” distinta entre os
professores “O”.
De acordo com a
Portaria os docentes seriam então divididos nas seguintes faixas:
“I – docentes efetivos;
II – docentes estáveis
pela Constituição Federal de 1988;
III – docentes
celetistas;
IV – docentes com
vínculo assegurado em lei, a que se refere o § 2º do artigo 2º da Lei
Complementar nº1. 010/2007;
V – docentes
contratados, nos termos da Lei Complementar nº1. 093/2009.
VI – docentes
remanescentes, aprovados no Concurso público de PEB-II/2013, na 1ª e 2ª opção.“
Duzentena e Quarentena
Mostrando que a
disposição do governo do PSDB em atacar os professores não tem limites, a
Portaria também estabelece que os professores cujos contratos vencem em 2014
(já reconduzidos de 2013) enfrentarão a duzentena ou a quarentena, , ao manter
vigentes os “termos da LC nº1093/2009”. Isso significa que milhares de
professores (muitos deles com anos de serviços prestados ao Estado) serão
obrigados a ficar desempregados por até 200 dias. É claro que a famigerada Lei
do governo tucano não garante qualquer remuneração para os professores nesse
período, ou seja, o professor demitido sem qualquer indenização (o Estado não
paga sequer FGTS e não assegura salario-desemprego) ficará condenado a ficar
sem menor condições de manter a si e à sua família.
“Economizar” para
distribuir para os tubarões capitalistas
As medidas, como quase
todas adotadas nos últimos 20 anos de governos tucanos, têm um claro objetivo
de cortar gastos, cortar direitos de milhares de professores e, desta forma,
economizar recursos do bilionário orçamento da Educação, os quais são cada vez
mais distribuídos para os banqueiros, tubarões do ensino pago e outros
monopólios capitalistas que controlam o Estado.
As medidas afetam toda
a categoria. Mantém-se a política de jogar os contratados no INSS, fazendo com
que o fundo de aposentadoria dos efetivos e estáveis, SPPREV, fique reduzido. E
se conjuga com a proposta de reforma do Estatuto do Magistério (minuta) para
reduzir a aposentadoria, com a mudança em seu cálculo.
Os “temporários”
continuam impedidos de terem assistência médica no IAMSPE (Insituto de
Assistência Médica do Servidor), entre outros direitos garantidos aos
professores efetivos.
Mobilizar contra a
Portaria, a “Minuta”, o arrocho salarial... e toda a política do governo
inimigo da Educação
A Portaria não deixa
dúvidas. Com o PSDB é assim: sempre pode ser pior.
Mais uma vez a direção
da APEOESP (mesmo diante da denuncia pública) nada fez, esperou pela Portaria
e, agora, vai – com certeza – encontrar pontos positivos no ataque tucano
(sempre enxergam conquistas nos golpes tucanos!).
Contra este novo golpe
e contra a paralisia da burocracia é hora de organizar uma mobilização unitária
de toda a categoria.
A diretoria sindical
deveria antecipar a realização da assembleia estadual da categoria (prevista
apenas para 25 de setembro). É preciso usar o momento eleitoral para denunciar
a política do governo tucano, que na propaganda eleitoral mente descaradamente
dizendo que melhorou a Educação e que os professores estão satisfeitos.
Debater nas escolas, em
reuniões com a Comunidade Escolar a necessidade de ganhar as ruas, de ocupar a
Avenida Paulista (dia 25 ou antes) para derrotar a política antieducacional do
governo Alckmin.
Repetir 2005, quando
mais de 30 mil professores tomaram as ruas e obrigaram Alckmin a retirar
decreto que demitia 120 mil ACT’s e ainda a conceder um reajuste de 15%.
Sair às ruas em defesa
das reivindicações dos professores e contra a destruição do ensino público:
TEXTO EDUCADORES EM LUTA:
http://www.pco.org.br/movimento-operario/portaria-de-atribuicao-de-aulas-2015-um-novo-golpe-contra-os-professores/ajbp,p.html
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